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Namoro Santo

“Ficar” é pecado? E os beijos na boca (de língua) no namoro?

Nas reuniões de grupos jovens e nas catequeses para jovens sempre surge um assunto um tanto quanto polêmico. A pergunta que normalmente fazem é: Ficar é pecado? Vale ressaltar que quando eu falo “polêmico” aqui é mais entre quem deveria ensinar do que da parte de quem ensina, porque a verdade é uma só, e me parece que é muito evidente o ser ou não pecado aqui. Mas vamos tentar fazer uma análise sobre a questão, para não dizerem que é puro “radicalismo” e exageros. Até porque a questão vai além do “ficar”, vai no próprio namoro sério de muita gente, que acha que namora santamente, mas muitas vezes vive ao menos em grande perigo por pura negligência.

Começando pelo “ficar”. O que seria o ficar? Nas palavras dos jovens que “ficam”, trata-se de um período onde duas pessoas querem se conhecer melhor antes de tomar a séria decisão de iniciar um namoro sério. Porque afinal – dizem eles – é preciso conhecer bem uma pessoa antes de estreitar os laços pro namoro. No entanto, o que primeiro deveríamos nos questionar é: por acaso o conhecimento da pessoa não se dá no namoro? Sim, porque o namoro é o período onde os jovens namorados passam a se conhecer para ver se tem compatibilidade para se casarem um dia. Depois, no noivado, é algo a mais do que conhecer, é já ter a firme decisão de casarem e só aguardam a data que já deve estar marcada (sim, porque noivos que não tem data de casamento marcada ou que nem se mechem para marcar não são noivos, são namorados “enrolões”). Mas na prática o que seria o “ficar”, uma vez que vimos que a teoria é derrubada por si só? Na prática o “ficar” é duas pessoas que não querem compromisso algum e então trocam carícias exageradas, como por exemplo o beijo de língua que é próprio de casais casados mesmo (veremos adiante sobre), e se agarram, tocam, pega daqui, esfrega dali, e tudo por causa do prazer pelo prazer. E quem “fica” não fica com uma pessoa apenas. Afinal, não tem compromisso. Se o ciclano tá “ficando” com a fulana, ele aproveita e também “fica” com a beutrana, a prima da prórpia fulaninha, etc. A fulana por sua vez faz o mesmo. E tudo por causa do prazer. Isso é de Deus? Não! Isso chama-se PROSTITUIÇÃO!

Alguns reclamam esse direito achando que devem “ficar” pra conhecer o outro. Mas mesmo que ambos estejam “ficando” apenas um com o outro, se ambos se gostam, porque então não namoram logo? Porque querem apenas o prazer que um beijo de línguas – isso quando infelizmente não avança para a fornicação de uma vez – pode proporcionar. E só “ficando” desfaz o peso da consciência caso venha a trair, afinal já não tinha compromisso. Repito: Isso aí já torna-se prostituição. E das piores, porque é de graça. Não que a paga não seja pecado, mas infelizmente nossa juventude têm se prostituído gratuitamente por meros prazeres mundanos.

O Catecismo da Igreja Católica fala algo muito interessante sobre essas “experiências”. Claro que o CIC não se fala do “ficar”, do “pegar” ou seja lá qual termo você usa para denominar essa prática de prostituição, mas refere-se sobre quem pratica sexo antes do casamento ou se “junta” para “experimentar” se vai dar certo. Mas prestem atenção que cabe muito bem no nosso tema “ficar”: Muitos reclamam hoje uma espécia de “direito à experiência” quando há intenção de se casar. Qualquer que seja a firmeza do propósito dos que se envolvem em relações sexuais prematuras, “estas não permitem garantir em sua sinceridade e fidelidade a relação interpessoal de um homem e uma mulher e, principalmente, protegê-los contra as fantasias e os caprichos”. A união carnal não é moralmente legítima, a não ser quando se instaura uma comunidade de vida definitiva entre o homem e a mulher. O amor humano não tolera a “experiência”. Ele exige uma doação total e definitiva das pessoas entre si. (CIC. 2391) – Como podem ver, essas experiências não são moralmente aceitas pela Igreja. E este trecho do Catecismo é muito útil para fazermos esta analogia. Se acabamos de ouvir a Igreja nos dizer que o sexo antes do casamento não pode ser aceito, pois é imoral, mesmo que o propósito de se casar seja fiel, assim também podemos dizer que o “ficar” também é imoral, mesmo que o propósito dos “ficantes” – que termo horrível – sejam sinceros. Até porque quem fica só nos beijos de língua está propício a cair na prática sexual completa. E digo mais, muitos jovens são condenados ao inferno “ficando”. Muitos jovens mesmo. São João Bosco via muitos jovens que iam ou iriam para o inferno caso não se convertessem, até mesmo jovens do seu oratório, e como dizia a Beata Jacinta: os pecados que lançam a maioria das almas no inferno, são os pecados de impureza. – Então, se os Dom Bosco via jovens do seu oratório que estavam prestes a serem condenados ao inferno caso não se convertessem, isso significa que você que vai à Missa mas continua ficando, se agarrando, pegando… Você está em pecado mortal. Então se arrependa, confesse seus pecados, e se emende.

Mas para muitos jovens de Igreja até concordam que o “ficar” é pecado. Mas e o beijo na boca? Ou melhor: e o beijo de língua? Muitos dizem que não tem problema algum pelo fato de ter compromisso. Mas acabamos de ler um trecho do catecismo dizendo que é imoral a prática sexual fora do casamento mesmo que o casal tenha firme propósito de se casar. “Ah, mas beijo na boca não é sexo”, no entanto, esquece-se de dizer que o beijo de língua é uma preparação para o ato sexual. E se este não for pecado, coloca-se em grave ocasião, e colocar-se em ocasião por pura negligência é pecado.

Vamos analisar o beijo na boca. O beijo na boca entre namorados é tão pecado quanto em quem só “fica”. Não consigo entender namoro santo, castidade, com casais de namorados que ficam “engolindo” um ao outro. Castidade não é só ausência do sexo – até porque muitos namoros de hoje em dia os casais de namorados fazem tanta coisa que nem precisa consumar o ato em si -, castidade é uma verdadeira mortificação. É ter um coração indiviso, e buscar agradar a Deus e não aos homens. E os namoros com beijo na boca tem agradado apenas aos beijoqueiros, uma vez que é algo desordenado, de pessoas que buscam apenas o prazer pelo prazer. Você pode até dizer que é uma manifestação de afeto entre o casal, que é algo próprio que o casal tem que ter. E eu te digo que um casal que tem o beijo de língua como o centro do afeto no namoro nunca vai saber a alegria do frio na barrica ao pegar na mão da namorada(o), nem o valor de um abraço casto – repito, abraço casto e não acochamento somado a mão boba que aperta tudo -, nunca saberá o valor de um olhar de alguém que quer respeito um ao outro e levar o outro ao céu, e não um olhar sedutor e depois dizer “cala a boca e beija logo”. Não! Não! Não! Nunca saberão viver a pureza quem pratica esses atos de impureza. Quem beija na boca no namoro também anda de mão dada, mas já foi tão maculado que é só um protocolo, só querem mesmo se dirigir para onde dará para beijar/engolir/trocar de língua. Quem beija na boca no namoro também dá abraços castos em certos pontos, mas a pureza, aquela pureza de um abraço de Nossa Senhora e São José, ah meus irmãos, será que existe? Não que eu seja tão santo a este ponto, mas como querer ser santo com as práticas pagãs de outrora?

Meus queridos, o beijo de língua no namoro torna-se um pecado porque ele gera prazer. E não é um prazer como o de comer chocolate. É um prazer sexual. Eu sou homem, e posso te dizer, que um homem normal, logo que encosta os lábios, já fica excitado. O sangue ferve. E o homem vai querer avançar, por mais que não avance, peca em seu coração. Mas porque? Porque o beijo na boca é uma preparação para o ato sexual. O beijo de língua avisa ao homem que se iniciará um ato sexual. Por isso que é quase que instantâneo a excitação do homem. É como se fosse uma sirene de polícia avisando sua chegada. Para a mulher talvez demore um pouco essa excitação, e talvez por isso seja mais difícil para vocês mulheres entender isso. Mas eu que sou homem digo que isso é terrível para o homem controlar. A não ser que eu que seja problemático, e nada nos outros homens suba quando estão se agarrando com suas namoradas. Talvez eu que seja o problemático.

Mas não para por aí. Depois do beijo, se tiverem sido negligentes o suficiente, tal beijo foi em lugar fechado, sozinhos, e o calor do beijo faz ambos caírem no pecado da fornicação. Todo ato sexual normal começa-se com um beijo na boca. Então o simples fato de beijar é no mínimo um pecado de negligência, pois nós não podemos cofiar em nós mesmos e achar que iremos controlar e parar o fogo a hora que quisermos. Isso chama-se presunção. É o mesma coisa que eu entrar em um posto de gasolina com uma tocha em chamas, pode ser que o posto de gasolina não exploda, mas o risco de acontecer uma tragédia é enorme. Fora a questão de mesmo que se o casal consiga sair dessa embrólio, existe o pensamento do homem contaminado, ele que ficou excitado querendo mais, e acaba por muitas vezes caindo no pecado da masturbação que é pecado mortal grave.

Eu tenho que contar um caso que aconteceu comigo, por mais que seja constrangedor, mas é necessário para vocês verem que as ocasiões somadas a esses beijos ardentes levam as almas para a impureza, e a impureza por sua vez ao inferno. Certa vez eu me coloquei em ocasião de pecado, por mais que achasse que não tivesse problema. Estava no meu quarto, sozinho em casa, uma colega minha (uma ocasião), a gente ouvia música sertaneja (duas ocasiões) e então aconteceu que a gente se beijou, e esse beijo foi mais que um beijo, e quase se consuma em um ato sexual. A coisa foi tão feia que até meu crucifixo foi arrancado do meu pescoço. Se quiser pode pegar como um sinal que este pecado nos tira da graça de Deus, nos separa de Cristo. Nos arrependamos para alcançarmos Misericórdia. Confessemos nossos pecados! – Mas o fato é que aquele “quase ato sexual” começou com a ocasião e com o beijo. Não foi apertando a mão, mas sim beijando na boca. Então meus queridos, passemos a viver a pureza de verdade, e paremos de ficar mascarando a nossa impureza. Eu não posso me colocar nessas ocasiões, não é sempre que vai ter uma avó ou seja lá quem for para me livrar de consumar o pecado de uma vez.

Basta você ser sincero, se o beijo não gerasse prazer eu duvido que vocês beijariam no namoro. Digo mais, se o beijo na boca não gerasse prazer – por certo pecaminoso – ninguém “ficaria”. Quer um exemplo? Vocês sabem que nessas festas onde satanás impera (essas festas em geral como por exemplo, bailes funks, sertanejos, boates, etc) os jovens – e até os mais velhos – ficam com várias pessoas em uma mesma noite. Várias pessoas mesmo, cinco, dez, quinze, vinte, até onde conseguir. E depois ficam se gabando jogando na cara dos amigos “eu peguei 10”, outro por sua vez diz “eu peguei 20” e assim por diante. Ora, sinceramente, eu nunca vi ninguém relatar uma festa dessa e se gabar dizendo “eu apertei a mão de dez meninas” e outro diz “isso não é nada, eu apertei a mão de quinze meninas e ainda dei um abraço gentil em 10 moças”. Sabe por que? Por que aperto de mão, abraço casto, isso não gera prazer sexual. E é triste ver muitos jovens achando que são os mais castos do mundo, só porque não transaram antes do casamento, mas fazem a mesma coisa que fazem quem tem se prostituído de festa em festa. Ora, muitos que estão “ficando” com todo mundo nas festas não estão chegando ao ato sexual consumado. Então qual a diferença do namoro do mundão para o de muitos católicos pervertidos? Ouvi uma pregação de um pregador muito bom, mas que ele acabou por falar uma besteira, mas que acabou servindo para confimar que no meu namoro não pode estar presente o beijo na boca porque se não será a minha ida para o inferno. E sinceramente, eu quero viver a pureza no meu estado de vida porque eu quero ser conduzido pela Virgem Maria para o Céu. Mas enfim, dizia esse pregador, se achando por ter casado virgem, e dizia das lutas – que de fato existe e não são poucas – e dizia que ficava só com a namorada, pois a sogra saía para os deixar a vontade – o sogra sem discernimento! – e eles no beijo, no calor, quase caíam na fornicação, ele corria pra jogar gelo na cueca. Ele pegava em tudo quanto era lugar, e acabou uma vez pegando na coxa da sogra… Enfim, eu fiquei pé atrás com ele, mas se olharmos para outro lado foi bom ouvir isso, afinal dá para vermos que se eles não estivessem se agarrando não teriam ficado em chamas, sendo necessário tantas corridas. Não dá para ser presunçoso ao ponto de achar que eu agarro, eu pego nas partes do corpo do outro, mas não vou transar porque sei me controlar, isso não existe, só o se colocar em pecado com conhecimento de causa, já é um pecado enorme.

Tomem muito cuidado jovens. Muito cuidado. Se vocês não conseguem ficar sem beijar na boca, como conseguiram se segurar para não trair um ao outro no casamento? Lutem! “Ainda não tendes resistido até o sangue na luta contra o pecado” (Hebreus 12,4) Se ainda tem alguma resistência quanto ao “é pecado ou não”, faça por sacrifício, em reparação por tantos que estão na fornicação.

Em vez de ficar se agarrando, consagrem o namoro à Nossa Senhora, e rezem o terço juntos. É melhor rezar do que beijar. “Ah, você deve ser bv” – quem vos escreve já ficou na saída de Missa e na porta de Igreja. Quem vos escreve é um pecador. Então cria vergonha na cara e pare de ficar procurando desculpa para continuar no pecado.“Se eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; agora não há desculpa para o seu pecado” (João 15,22)

Fico imaginando um namoro onde o beijo impera, e ambos namoram longamente. Lembro do livro de Santo Afonso Maria de Ligório “Práticas do Amor a Jesus Cristo”, onde se não me engano ele fala que o ideal para o namoro cristão é um ou dois anos. De fato, reconheço que alguns demoram porque deve ter um discernimento. Mas outros acabam sendo sem-vergonhice, afina, se tratando dos prazeres carnais, já tem uma vida de casado, casar pra quê? Os problemas de marido e mulher deixa pra depois. Filhos? Depois… Céu? E ainda quer ir pro Céu. Sim, você vai pro Céu, mas confesse os seus pecados e não tornes a pecar. São Paulo nos fala que tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Te é permitido beijar na boca, mas sinceramente não convém.

Quero encerrar aqui com uma passagem do mesmo São Paulo: “Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Mas, se não podem guardam a continência, casam-se. É melhor casar do que abrasar-se.”(1Corintios 7,8-9)

A devoção ao Santíssimo Sacramento e a devoção à Santa Mãe não são apenas o melhor caminho, mas na verdade são o único caminho para manter a pureza. Na idade de 20 anos, nada além da comunhão pode manter um coração puro. A castidade não é possível sem a Eucaristia”.



São Filipe Néri 

Fonte: FrontCatólico

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