Maria suportou uma grande dor


Muitas vezes não paramos para pensar nas dores de Maria quando seu Filho tão amado, o próprio Deus vivo, foi crucificado.

Tão grande foi sua dor que Simeão – cujo Espírito Santo estava sobre ele (Lc 2,25) – assim o disse:

“Quanto a você, Maria, uma espada atravessará a sua alma.”

A seguir, Venerável Fulton Sheen, Bispo da Igreja Católica, nos fala sobre este trecho da Palavra de Deus. Assim segue:


Uma fábula Oriental refere-se a um espelho que permanece claro quando os bons se miram nele, e se embacia quando os impuros o fitam. Assim podia o dono dele conhecer o caráter dos que o utilizavam.

As palavras de Simeão a Maria diziam que seu Filho seria como este espelho: os homens amá-lo-iam ou odiá-lo-iam conforme os seus reflexos. A luz, ao incidir numa chapa fotográfica sensível, produz uma mudança química que não se pode desfazer. As palavras de Simeão diziam que a Luz daquele Menino, incidindo sobre Judeus e Gentios, imprimiria neles o vestígio indelével da sua presença.

Disse ainda que o Menino descobriria as verdadeiras disposições interiores dos homens, e examinaria os pensamentos de todos os que se aproximassem d’Ele.

Pilatos havia de contemporizar e depois ceder; Herodes faria troça; Judas inclinar-se-ia para uma espécie de voraz segurança social; Nicodemos havia de rastejar nas trevas para encontrar a Luz; os cobradores de impostos tornar-se-iam honestos; as prostitutas, puras; os jovens ricos respeitariam a sua pobreza; os pródigos voltariam ao lar; Pedro arrepender-se-ia; um Apóstolo havia de enforcar-se. Desde esse dia até hoje, ele continua a ser um sinal de contradição. Era natural, pois, que morresse num pedaço de madeira, na qual uma barra contradissesse a outra. A barra vertical da vontade de Deus é negada pela barra horizontal da vontade humana contraditória. Assim como a Circuncisão indicava o derramamento de sangue, assim a Purificação anunciava a sua Crucifixão.

Depois de afirmar que Cristo era um sinal de contradição, o velho Simeão voltou-se para Maria e ajuntou:

“Quanto a você, Maria, uma espada atravessará a sua alma.” Lucas 2, 35

Foi-lhe, pois, anunciado que Jesus seria rejeitado pelo mundo e que, com a Crucifixão do Filho, se daria a sua própria transfixação.

Assim como o Menino desejava a Cruz para si, assim desejava a Espada de Dores para ela. Quis ser o Homem das Dores, e quis também que ela fosse a Mãe das Dores!

Deus nem sempre poupa os bons das aflições. O Pai não poupou seu Filho e o Filho não poupou sua Mãe. A compaixão dela deve acompanhar a Paixão d’Ele. Um Cristo que não padecesse e não pagasse livremente a dívida da culpa, estaria reduzido ao nível dum guia moral; e uma mãe que não partilhasse de seus sofrimentos seria indigna da sua grande missão.

Simeão revelou-lhe não só a espada mas também o lugar onde a providência dispunha que fosse cravada. Mais tarde, o Menino havia de afirmar: “Eu vim trazer a espada”. Simeão disse que lhe seria cravada no coração quando seu Filho estivesse pendente do sinal de contradição e ela junto dele, trespassada de dor.

A lança que fisicamente atravessou o coração do Filho, havia de penetrar misticamente no seu próprio coração. O menino veio para morrer e não para viver, porque o Seu nome era Salvador.


Venerável Fulton Sheen em “A Vida de Cristo”.

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