Você sabia que não se deve Comungar em Pecado Mortal? Saiba porque aqui

Muitas dúvidas vêm sendo apresentadas sobre poder ou não comungar em estado de pecado mortal, afinal, como dizem alguns, “a Eucaristia é remédio” e serviria para o conforto dos fiéis, até mesmo para a remissão dos pecados.

Ouve-se ainda dizer por alguns que “a proibição de receber a comunhão em pecado mortal” é apenas algo discilplinar, isto é, uma norma eclesiástica canônica mutável, e não uma matéria definida pelo Magistério com o uso da infalibilidade.

Pois bem, o caráter infalível desta matéria fora proferido no “Decreto sobre a Eucaristia” no Concílio de Trento datado de 11 de outubro de 1551, que assim determina no Capitulo VIII, parágrafo 11:

“Se alguém disser que só a fé é preparação suficiente para receber o Sacramento da Santíssima Eucaristia – seja anátema”.

E para que tão grande Sacramento não seja recebido indignamente e cause a morte e a condenação, o mesmo santo concílio determina e declara que aqueles que conscientemente sabem que estão em pecado mortal, por mais que se julguem contritos, se houver a possibilidade de um confessor, devem fazer prévia confissão sacramental. Se, pois, alguém pretender ensinar, pregar ou afirmar pertinazmente o contrário, ou ainda defendê-lo publicamente – por isso mesmo seja excomungado”.

Sobre a chamada remissão dos pecados através da Eucaristia para justificar a admissão de sua recepção em estado de pecado mortal, o mesmo capítulo no parágrafo 5 determina:

“Se alguém disser que o fruto principal da Santíssima Eucaristia é a remissão dos pecados, ou que dela não provêm outros efeitos – seja anátema”.

O decreto conciliar cumpre os quatro critérios de infalibilidade ao tratar especificamente de alguns tópicos, dos quais fazem parte os dois citados acima. A saber os critérios para julgar a infalibilidade são:

1 – Que o Soberano Pontífice se pronuncie como sucessor de Pedro, usando os poderes das chaves, concedidas ao Apóstolo pelo próprio Cristo;
2 – Que se pronuncie sobre Fé e Moral;
3 – Que queira ensinar à Igreja inteira;
4 – Que defina uma questão, declarando o que é certo, e proibindo, com anátema, que se ensine a tese oposta.

Portanto, ao proferir os anátemas num decreto conciliar, o Romano Pontífice, o Papa Paulo III, usando o poder magisterial infalível definiu universalmente que “ninguém pode ensinar, pregar ou afirmar pertinazmente o contrário” a esta proibição de receber o sacramento da comunhão em estado de pecado mortal. Nem mesmo dizer que se pode aceder à Eucaristia com intento principal de ter o perdão dos pecados, aqueles que são reservados ao sacramento da confissão.

Ainda que se mudem as penas ao longo do tempo sobre qualquer prática herética perante o Magistério, a sua instituição infalível permanece, isto é, até a vinda de Nosso Senhor. Nesse caso a ação disciplinar de aplicação de penas ou não em determinadas circunstâncias é mutável, mas nunca a sua definição teológico-doutrinal.

Neste caso, e como muitos pretendem que aconteça, os sucessores dos apóstolos e de Pedro não podem cancelar em nenhuma hipótese o que pelo Magistério já fora definido solenemente em termos de fé e moral, o que inclusive seria estranho a continuidade exigida obrigatoriamente pelo Magistério.

Alguém perguntou certa vez: e se um Papa qualquer no futuro da Igreja tentar usar a infalibilidade para anular a infalibilidade de outro? Não acredito que isso aconteça, pois os sucessores de Pedro gozam de estado de graça e estão sob inspiração do Espírito Santo. Mas algo do tipo não faria o menor sentido, pois o Magistério Extraordinário definido é perpétuo e auto-imune porque inerrante no ensino sobre fé e moral.

A demanda de fiéis para serem admitidos à Eucaristia em estado de pecado mortal feita aos bispos ou ao sucessor de Pedro é incompatível com a tradição e com o Magistério que tudo definiu sob inspiração divina. Para atenderem tal requisição ilegítima seria preciso fazer descontinuidade da doutrina da Igreja em ruptura com a sua tradição levando a um cisma com a fé católica.

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Fonte: ChurchPop

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